COMUNICADOS

1 DE JUNHO – DIA MUNDIAL DO LEITE – DIA NACIONAL DA PRODUÇÃO DE LEITE

Por indicação da FAO, organização da Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, celebra-se a 1 de Junho o “Dia Mundial do Leite”. Esta iniciativa, pouco divulgada em Portugal, devia ser uma oportunidade para celebrarmos a riqueza nutricional do leite, a qualidade do leite português e o facto do leite ser uma das poucas produções agrícolas em que Portugal é autosuficiente.

Contudo, os produtores de leite portugueses não podem celebrar, porque o preço médio em Março foi de 27 cêntimos por litro, enquanto um estudo recente aponta um custo médio de 37 cêntimos, o que significa para a globalidade dos produtores acumular um prejuízo aproximado de 500 000 euros cada dia que passa.

Para inverter esta situação, a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, recentemente criada, tenciona desenvolver um conjunto de actividades para valorizar o leite português. Nesse sentido, no próximo dia 9 de Junho, vai decorrer o “Dia Nacional da Produção de Leite”, um projecto-piloto que consistirá na visita de uma centena de crianças a duas vacarias, localizadas em diferentes regiões de Portugal continental, permitindo aos estudantes descobrir como se produz o leite que consomem diariamente, através do contacto com os animais, da apresentação da sua alimentação e cuidados diários, devidamente explicados pelos produtores. Se a iniciativa tiver o sucesso que esperamos, no próximo ano teremos dezenas e depois centenas de explorações leiteiras de “porta aberta” às crianças e à sociedade em geral, para que conheçam o nosso trabalho e valorizem o nosso produto, o leite português.

Portugal, 1 de Junho de 2010


26 DE MARÇO – COM OS PREÇOS DO PRESENTE, A PRODUÇÃO DE LEITE NÃO TEM FUTURO

No dia em que se debate em Bruxelas “o futuro do leite”[1], a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, entende que é preciso dizer muito claramente que a produção de leite só terá futuro em Portugal e na Europa se for pago um preço justo ao produtor, que permita cobrir as despesas de produção, o que não acontece actualmente. Depois de uma pequena subida no final de 2009, as principais indústrias parecem manter o preço ao produtor. No entanto, a APROLEP detectou três situações com baixa de preço neste mês de Março, com 100 produtores a receber menos 1 cêntimo por litro e 60 produtores a receber menos 3 cêntimos.

Nos próximos dois meses, Abril e Maio, os produtores de leite têm pela frente muito trabalho e despesas acrescidas com a recolha da forragem de inverno e sementeiras do milho silagem, o principal alimento das vacas leiteiras. Com base nas despesas de 2009[2], podemos estimar que por cada hectare de milho a semear é preciso gastar imediatamente cerca de 1000 euros em sementes, pesticidas, adubos e todos os trabalhos culturais (lavrar, fresar, semear, aplicar adubos e herbicidas). Para mais tarde ficam outras despesas como a rega, a colheita e as rendas. Estando os produtores de leite descapitalizados e os fornecedores e instituições bancárias a limitar o crédito, avizinham-se momentos difíceis, provavelmente ficarão algumas terras por semear e mais alguns produtores vão abandonar a actividade.

A nível europeu, temos assistido a um discurso contraditório por parte da indústria, apontando boas perspectivas para o final de 2010 mas tentando baixar os preços no imediato. Portanto, pedem mais sacrifícios agora com base em vagas promessas a longo prazo. Ao mesmo tempo, por parte da distribuição continuam as jogadas de importação de leite a preços de saldo, como nos podemos aperceber a partir da situação caricata denunciada pelos produtores do Pais Basco[3], em Espanha, com uma grande superfície a vender supostamente o mesmo leite de marca própria com 33 cêntimos de diferença entre os dois lados da fronteira.

Face ao exposto, entendemos que o futuro da produção de leite depende de uma repartição mais justa das margens entre os vários elementos da fileira do Leite. No imediato, apelamos à Intervenção do Ministro da Agricultura junto da indústria e da distribuição para a valorização do leite português e esperamos que o Governo defenda igualmente junto da União Europeia a continuação das quotas leiteiras ou de outro sistema equivalente que permita adaptar a produção às necessidades de consumo e garantir a segurança alimentar da Europa a longo prazo.

Portugal, 26 de Março de 2010

A Direcção da APROLEP


8 DE MARÇO – “PELO FUTURO DO LEITE PORTUGUÊS!”

No passado dia 4 de Março, na Conservatória do Registo Comercial de Vila do Conde, foi formalmente constituída a APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, uma associação de âmbito nacional, com sede administrativa em Alcobaça, distrito de Leiria, que reúne produtores de leite de todo o país.

A constituição da APROLEP representa uma nova etapa na caminhada de um grupo de produtores de leite para enfrentar a grave crise que afecta o sector há quase dois anos e que continua sem solução à vista. Este grupo, nascido na crise e amadurecido em acções de luta em defesa dos produtores e de toda a fileira do leite português, decidiu agora formalizar a sua existência através da APROLEP, uma associação que não é a solução para todos os problemas mas quer ser uma nova ferramenta ao serviço da produção de leite. Não vendemos ilusões nem prometemos milagres.

Vamos lutar de forma consistente e organizada pela valorização da nossa actividade, do nosso trabalho e produção. Queremos um preço justo para o leite português. Pretendemos regras claras para adaptar a produção às necessidades de consumo. Defenderemos os produtores de leite de todo o território nacional, independentemente da sua localização, dimensão económica e entidade compradora, junto de entidades nacionais e comunitárias.

“Seremos uma associação ao serviço dos produtores de leite, apartidária, independente da distribuição, da Indústria e de qualquer outra organização agrícola, mas sempre disponível para cooperar com todos na resolução dos problemas dos produtores de leite, salvaguardando a independência e a soberania da produção.”

Daremos prioridade à comunicação com os produtores e com a sociedade, privilegiando as novas tecnologias de comunicação,

e de outras formas que considerarmos úteis, como a vídeo-conferência através da internet, já utilizada pela “comissão instaladora” da APROLEP ao longo dos últimos meses. As novas tecnologias de comunicação permitem-nos encurtar distâncias, evitar as despesas de deslocações e facilitam a comunicação entre produtores de leite que não se podem ausentar da exploração.

A nível local, vamos promover o contacto directo entre produtores, agrupados em cinco núcleos regionais, directamente representados na direcção da associação: Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes, Entre Douro e Mondego, Entre Mondego e Tejo e Sul do Tejo. No futuro, esperamos envolver também as regiões autónomas.

Pretendemos trabalhar em rede, trocando experiências, partilhando informação e afirmando valores como a transparência, a democracia e a solidariedade. Acreditamos no futuro da produção de leite em Portugal e vamos trabalhar para que ele seja mais justo e sustentado.

Portugal, 8 de Março de 2010

A Direcção da APROLEP


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