COMUNICADOS

23-11-2021   AGRAVAMENTO DA CRISE DOS PRODUTORES DE LEITE

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, tem vindo ao longo do ano a denunciar os sucessivos aumentos dos custos de produção sem correspondente aumento do preço de leite aos produtores, mas continuamos sem resposta por parte da indústria privada e cooperativa, das empresas de distribuição e do governo. Anunciam-se novos aumentos dos custos da ração, da energia, dos adubos, de tudo o que temos de comprar para alimentar os animais e cultivar a terra. Os produtores estão a chegar a um desespero que não poderemos mais controlar. As sucessivas manifestações organizadas por associações e por grupos de produtores de forma espontânea são um reflexo dessa revolta que deve motivar uma reflexão urgente de todos os responsáveis. Nesse sentido, a APROLEP solicitou com carácter de urgência reuniões com as associações representativas da indústria e da distribuição.

Aproximamo-nos de um ponto de rotura. Não havendo dinheiro para pagar aos fornecedores não haverá comida para os animais. Está em causa a sobrevivência dos produtores, funcionários e das suas famílias e de todas as empresas e cooperativas que fornecem os produtos e serviços necessários.

Está em risco o abastecimento regular de leite fresco de origem local aos consumidores. Estão à espera que os produtores vão à falência arrastando consigo toda a cadeia de produção? Querem que os portugueses passem a consumir produtos lácteos importados e leite em pó recombinado com água?

Compreendemos o desespero e a revolta dos produtores face à ausência de respostas concretas. Estamos solidários com todos os produtores de leite que fornecem cooperativas ou compradores privados. 
Lamentamos que até hoje os nossos apelos ao diálogo entre Produção, Indústria e Distribuição, moderados pelo Governo, tenham sido ignorados. Quem deixar sem resposta os nossos apelos para encontrar rapidamente através do diálogo uma solução vai certamente ter de enfrentar uma revolta descontrolada cujas consequências não conseguimos prever.

A Direção da APROLEP


15-11-2021   MINISTRA DA AGRICULTURA NÃO RESPONDE ÀS DIFICULDADES DOS PRODUTORES DE LEITE

A Direção da APROLEP tomou hoje conhecimento, através da comunicação social, do anúncio de “300 milhões” para apoiar investimentos na agricultura, onde se incluem 5 milhões (1,66%) especificamente para o setor leiteiro. Esse valor é claramente insuficiente para as necessidades do setor. 

Os produtores de leite precisam de efetuar avultados investimentos para tornar as empresas agrícolas mais eficientes, nomeadamente para aumentar a produção de forragens reduzindo a utilização de rações, para participar no esforço coletivo para a redução das emissões de gazes de efeito de estufa e para aumentar os níveis de segurança alimentar e bem-estar animal tal como nos é exigido.

A APROLEP considera, no entanto, ter o dever de alertar que os produtores de leite não têm poupanças para pagar a parte do investimento que lhes compete e que será muito arriscado recorrer ao crédito uma vez que o preço do leite ao produtor não acompanhou o aumento dos custos de produção.
 
Essas ajudas agora anunciadas serão um presente envenenado se não houver uma subida do preço do leite de 5 cêntimos a curto prazo e sobre isso não ouvimos uma palavra nem observamos qualquer ação da por parte da Ministra da agricultura, para além da criação de uma sub-comissão sobre os lacticínios no âmbito da Parca, na qual, estranhamente, a nossa associação não foi convidada a participar.

 A Direção da APROLEP


12-11-2021   UM FARDO DE PALHA PARA O PINGO DOCE

Produtores de leite entregaram esta manhã um fardo de palha à porta do Supermercado Pingo Doce em Barcelos, o concelho que é o maior produtor de leite no país. Com esta “oferta” queremos protestar contra os preços baixos do leite, alertar para o aumento dos custos de produção que nos estão a arruinar e desafiar o Pingo Doce a dar o exemplo, parar com a desvalorização do leite e pagar um preço justo aos agricultores. 

Estamos a suportar desde o ano passado aumentos entre 20 a 30% no preço da ração e mais recentemente nos restantes fatores de produção como a eletricidade, os combustíveis e os adubos (cujo preço já está acima do dobro em relação ao verão), mas só em Outubro conseguimos um pequeno aumento de 1,5 cêntimos por litro de leite das principais indústrias. É um valor insuficiente. Precisamos de mais 5 cêntimos de aumento com urgência, com o objetivo de atingir 40 cêntimos por litro de leite pago ao agricultor.

Por estranho que pareça, os agricultores que fornecem o Pingo Doce tiveram um aumento inferior, apenas 1 cêntimo, apesar do grupo Jerónimo Martins ter uma fábrica onde transforma o leite e embala as suas marcas próprias, o que lhe permite controlar todo o percurso “do prado à prateleira do supermercado”, não podendo desculpar-se com outras indústrias pelo preço baixo que os seus fornecedores recebem. É um preço injusto que não permite pagar os atuais custos de produção. Sabe mal receber tão pouco!

As cadeias de distribuição costumam argumentar que são obrigadas a acompanhar os preços de mercado, mas também são elas que manipulam esse mercado usando o leite como Isco para atrair consumidores. Por exemplo, neste momento é possível comprar a 39 cêntimos um litro de leite da marca "Amanhecer", que pertence ao mesmo grupo económico do Pingo Doce.

Com esta ação simbólica, queremos desafiar o Pingo Doce a dar o exemplo, parar com as promoções que desvalorizam o leite e ser o primeiro a pagar um preço justo aos agricultores. A nossa luta vai continuar noutros locais e ocasiões.

Queremos ainda enviar um abraço solidário aos produtores de leite e carne que hoje se manifestam na ilha Terceira, Açores, a região com os preços do leite ao produtor mais baixos neste Portugal que tem o preço médio mais baixo da Europa.  Uma vergonha que o Governo e o Presidente da República não podem ignorar.

A Direção da APROLEP 


17-09-2021   COMUNICADO SOBRE O AUMENTO DO PREÇO DO LEITE

A APROLEP considera positivo o anúncio da Lactogal sobre  o aumento de  1,5 cêntimos por litro de leite à produção, a partir de 1 de outubro, tal como a Unileite anunciou a subida de 1 cêntimo aos seus produtores em S. Miguel a partir da mesma data. São decisões no bom sentido, apesar de chegarem muito atrasados e serem insuficientes face ao aumento brutal do custo das rações que os produtores suportam desde o início de 2020 e face ao aumento do custo da eletricidade que começam a suportar.

A APROLEP desafia os restantes compradores de leite a aumentarem o preço ao produtor num valor superior aos anunciados, para que o aumento chegue a todos os produtores e para ser possível, de forma progressiva mas rápida, aumentar em 6 cêntimos o preço médio ao produtor em Portugal, pois esse é o valor que estamos neste momento abaixo dos custos de produção e da média comunitária. 

Recordamos que temos em Portugal empresas de lacticínios especializadas em produtos de valor acrescentado e grupos que controlam todo o processo desde o produtor até ao consumidor e que por isso terão certamente condições para responder de forma rápida e positiva à exigência de um preço justo para a produção de leite que temos vindo a apresentar.

A Direção da APROLEP


25-08-2021   NÃO MATEM A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL!

Os produtores de leite portugueses recebem, em média, o pior preço do leite ao produtor na Europa, 29,9 cêntimos por kg de leite, 6 cêntimos abaixo da média comunitária. Seis cêntimos abaixo de um preço justo que permita pagar os custos de produção!

Os produtores de leite, por outro lado, sofreram nos últimos meses um aumento brutal do custo das rações, que representam metade das despesas de uma vacaria, para além do aumento dos custos da energia, mão de obra e de todos os fatores de produção que ocorreram nos últimos anos.

Assistimos a uma prolongada agonia do setor leiteiro!
É tempo de expressar publicamente o desânimo e a revolta que sentimos.
Ao longo de meses, alertamos o governo, a indústria e a distribuição para a situação critica que estamos a viver.

A distribuição, que diz apoiar a produção nacional, não teve até agora qualquer palavra ou atitude no sentido de nos acudir. 
Estamos fartos de ver o leite que nos custa tanto produzir ser usado como produto barato para atrair consumidores!
Estamos fartos de ver o nosso trabalho desvalorizado!

As constantes promoções e guerras de preços estão a matar a produção nacional de leite. 
Não bastam palavras, é preciso atitudes!
Esta não é uma manifestação contra os supermercados, é uma manifestação pelo futuro de todo o setor leiteiro, da agricultura portuguesa e do mundo rural.

Repetimos hoje, de viva-voz, o que já perguntámos em maio: Estão as empresas de distribuição disponíveis para atualizar com urgência o preço do leite e produtos lácteos aos seus fornecedores, de modo que seja possível aumentar o preço ao produtor?

Alguém tem que dar o primeiro passo, dar o exemplo e subir o preço do leite!

BASTA DE DESVALORIZAR O NOSSO TRABALHO! 
EXIGIMOS PREÇO JUSTO PARA O LEITE!

Trofa, 25 de Agosto de 2021

A Direção da APROLEP


08-07-2021   REUNIÃO DA PARCA DEVE CRIAR CONDIÇÕES PARA AUMENTAR O PREÇO DO LEITE

Os produtores de leite estão há 6 meses a suportar aumentos brutais nos custos de alimentação das vacas leiteiras. A nossa margem já era quase nula, porque recebemos o mesmo preço há mais de 20 anos e suportámos aumentos no custo da energia, da mão de obra e de todos os fatores de produção.

Perante o estado de desespero e revolta dos produtores, organizámos uma  manifestação no Porto a 26 de fevereiro e em sucessivos comunicados alertámos as cooperativas, as indústrias, o poder político e o setor da distribuição para o facto de estarmos há vários meses a vender o leite abaixo do custo de produção, com o pior preço da Europa, e cada vez mais longe. Os dados mais recentes do Observatório Europeu do Leite indicam que em Maio a diferença do preço médio português para a média europeia foram 5,7 cêntimos e em junho terão sido 6 cêntimos.

Estamos com um preço médio de 30 cêntimos / kg para um custo que estimamos de 35 cêntimos. Um estudo recente do ministério da agricultura espanhol confirma esse valor. Por isso propomos um aumento imediato de 5 cêntimos para cobrir os custos de produção.

Em carta aberta de 20 de maio, perguntámos: “Estão as empresas de distribuição disponíveis para atualizar com urgência o preço do leite e produtos lácteos aos seus fornecedores?” Não tivemos qualquer resposta. Também não vimos resposta à acusação recente feita em comunicado por ANIL e FENALAC: “A Grande Distribuição continua sistematicamente a desvalorizar o produto ao praticar as mesmas condições negociais, com a agravante de, recentemente, aumentar a pressão promocional sobre os produtos lácteos”. Pensamos que é tempo de a distribuição afirmar e demonstrar de forma efetiva que defende a produção nacional.

Vemos como positiva a reunião da PARCA – Plataforma de acompanhamento das relações na cadeia agro-alimentar - que vai hoje decorrer, mas é essencial que todos os participantes levem propostas positivas e que dessa reunião surjam decisões para salvar a produção de leite.  Não pode ser mais um episódio de “passa-culpas” a “sacudir a água da capote”, enquanto os produtores se endividam, adiam pagamentos e podem ser obrigados a reduzir a alimentação dos animais. 

No comunicado em que anunciou a reunião da PARCA, o Ministério da Agricultura reconheceu “as dificuldades que se vêm registando no setor do leite, num contexto de significativo aumento dos custos da alimentação animal”, mas as medidas de apoio imediato anunciadas (linha de crédito e antecipação de uma ajuda já existente) não terão qualquer efeito no rendimento dos agricultores , nem devem distrair-nos do objetivo: UM PREÇO JUSTO PARA O LEITE PRODUZIDO, SUPERIOR AOS CUSTOS DE PRODUÇÃO. Se não houver uma resposta imediata e positiva, a luta dos produtores terá certamente de se intensificar e endurecer.

 A Direção da APROLEP


20-05-2021   CARTA ABERTA AOS INDUSTRIAIS DE LACTICÍNIOS, EMPRESAS DE DISTRIBUIÇÃO, À MINISTRA DA AGRICULTURA E AO SECRETÁRIO REGIONAL DA AGRICULTURA DOS AÇORES : 

Em Março de 2021, os produtores de leite portugueses receberam, em média, apenas 29,9 cêntimos por kg de leite, o pior preço do leite entre todos os países da União Europeia, segundo os dados do Observatório Europeu do Leite. Cinco cêntimos abaixo da média comunitária! Um preço que estrangula os produtores portugueses e nos deve envergonhar a todos!

É do conhecimento geral que nos últimos meses as matérias-primas para o fabrico das rações das vacas subiram exponencialmente, sem perspectiva de descida a curto prazo. Estimamos que só isso tenha provocado um aumento no custo de produção entre dois a três cêntimos por litro de leite. Isto é muito grave porque a margem dos produtores era já muito reduzida ou quase nula, tal como a APROLEP alertou ao longo dos últimos anos. Recebemos o mesmo preço há 20 anos e suportámos o aumento do custo da energia, da mão de obra e de todos os fatores de produção. Com o preço do leite congelado, estamos a presenciar atrasos de pagamentos, desânimo e revolta entre os nossos associados, cujas consequências não podemos antecipar.

Perante esta crise que aumenta no setor leiteiro e o silêncio de governantes, industriais e empresas de distribuição, é nosso dever perguntar desde já:

A Senhora Ministra da Agricultura e o Senhor Secretário Regional da Agricultura dos Açores estão disponíveis para trabalhar em conjunto com o setor leiteiro para ultrapassar a miséria do atual preço do leite nos Açores e em Portugal continental?

Estão as empresas de distribuição disponíveis para atualizar com urgência o preço do leite e produtos lácteos aos seus fornecedores?

Está a indústria disponível para repercutir esse aumento às cooperativas e produtores?

Estão as cooperativas, uniões de cooperativas e empresas privadas disponíveis para reduzir os seus custos de administração e passar mais valor para o produtor?

A APROLEP manifesta desde já o seu interesse e disponibilidade para reunir com todos os envolvidos no sentido de encontrar soluções urgentes para a atual crise, sob pena de aumentarem ainda mais as dívidas, as falências, o abandono da produção e a revolta dos produtores. 

A Direção da APROLEP


10-05-2021   PRODUTORES DE LEITE PEDEM INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

A APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, saúda a atenção que o Senhor Presidente da República dedicou hoje à produção de leite através de uma visita à Sociedade Agrícola Carreira Gonçalves, em Esposende.  Trata-se de uma empresa agrícola familiar que há várias gerações se dedica à produção de leite e carne. Na visita o Senhor Presidente da República teve oportunidade de confirmar as condições de bem-estar em que as 180 vacas leiteiras estavam alojadas, visitar a moderna sala de ordenha e o armazenamento do leite com todas as regras de segurança alimentar e elogiar o leite e os excelentes queijos nacionais produzidos em várias queijarias familiares e cooperativas, que teve oportunidade de provar. No âmbito da visita, a APROLEP pediu a atenção e intervenção do Senhor Presidente da República sobre alguns dos temas que mais preocupam os agricultores e produtores de leite:

Preço do leite e custos de produção

Em fevereiro de 2021, o preço médio ao produtor foi 30 cêntimos/kg, o terceiro mais baixo da Europa. Não temos qualquer indicação de subida desse preço. Em dezembro de 2020 o preço da ração começou a subir. Há agricultores a pagar 40 cêntimos por kg de ração. Apesar de ser apenas 20% da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, a ração representa 50% dos custos de uma vacaria. Este aumento das rações representou um aumento nos custos de 2 cêntimos por litro de leite, sem qualquer compensação até ao momento.  Isto causa uma grande revolta, preocupação e desânimo entre os produtores de leite. Os mais velhos abandonam sem haver sucessores porque o rendimento atual não paga o investimento necessário e o trabalho dos agricultores.

Redução das ajudas da PAC

O preço baixo do leite tem sido mitigado, ao longo dos anos, com as ajudas da PAC, mas no final de 2020 fomos confrontados com perspetivas que apontam uma enorme redução dessas ajudas anuais. Tem sido apontada pelo Ministério da Agricultura a hipótese de compensar essa redução com um ajuste dos pagamentos ligados e a introdução de "eco-regimes", mas nada está definido e a preocupação do setor é grande face à incerteza sobre o orçamento disponível para essas medidas.

A imagem negativa da agricultura e da pecuária nas escolas e na comunicação social

Os produtores de leite encaram com apreensão e indignação a imagem negativa da produção agrícola e pecuária, veiculada através dos meios de comunicação, de reportagens e documentários exibidos na televisão pública, das redes sociais e dos manuais escolares, onde os agricultores são injustamente acusados de ser a principal fonte de poluição do solo, das águas e de maltratar os animais.

As vacas são apontadas como causadoras do aquecimento global, mas os dados da Agência Portuguesa do Ambiente mostram que a agricultura representa apenas 10% da emissão de Gazes de Efeito de Estufa (GEE), metade dos quais na pecuária. As vacas leiteiras são apenas 16% do total de bovinos existentes em Portugal, pelo que as emissões do setor devem representar menos de 1% das emissões do nosso país.

No caos específico das vacas leiteiras, os dados disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente apontaram uma redução de 18% da emissão de metano entre 1990 e 2017, devido à redução do efetivo leiteiro. Isso é confirmado pelos dados do último recenseamento agrícola, que apontaram uma redução de 11% no número de vacas leiteiras entre 2009 e 2019.

 Convém ainda destacar que o carbono libertado pelos animais faz parte de um ciclo e foi antes captado pelas plantas com que os animais se alimentam. Fazendo o balanço de todo o complexo agro-florestal, contabilizando o carbono captado nas pastagens e floresta, estima-se que o setor contribua apenas com 1% das emissões de GEE em Portugal, sendo, portanto, abusiva e tendenciosa a tentativa de atirar para a agricultura e para as vacas a culpa do aquecimento global.

A Direção da APROLEP


26-02-2021   MANIFESTAÇÃO POR UM FUTURO SUSTENTÁVEL DA PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL

(11h00 – Porto – Frente à Câmara Municipal)

Em 2020 Portugal perdeu 200 produtores de leite. Duzentas famílias e funcionários que abandonaram esta atividade. Restam apenas 4000 agricultores neste setor, menos de metade em Portugal continental. Os que resistem ou sobrevivem estão cansados, revoltados e muito preocupados com o futuro. Em dezembro, o preço médio ao produtor foi 30,4 cêntimos/kg, um dos mais baixos da Europa. Não temos qualquer indicação de subida desse preço. Estamos abaixo dos custos de produção.

Em dezembro o preço da ração começou a subir. Há agricultores a pagar 38 cêntimos por kg de ração. Não sabemos como vai evoluir esse preço. Apesar de ser apenas 20% da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, a ração representa 50% dos custos de uma vacaria.

Este preço baixo do leite tem sido mitigado, ao longo dos anos, com as ajudas da PAC, mas, no final de 2020, fomos confrontados com simulações da evolução das ajudas ao rendimento para os próximos anos realizados por entidades independentes,  como a Universidade Católica do Porto ou o Professor Francisco Avilez, que apontam uma enorme redução das ajudas anuais à produção de leite, um setor competitivo, criador de emprego, exportador e responsável pelas  paisagens do Entre Douro e Minho e da Beira litoral, as principais bacias leiteiras no continente.

Tem sido apontada pelo Ministério da Agricultura a hipótese de mitigar essa redução com um ajuste dos pagamentos ligados e a introdução de "eco-regimes", com o objetivo de pagar o contributo da agricultura e da produção de leite no combate às alterações climáticas e na preservação do ambiente e biodiversidade, mas na verdade as simulações mais otimistas do próprio ministério indicam perdas brutais nas ajudas ao rendimento dos produtores de leite.

Para os agricultores e produtores de leite, mais importante que as ajudas seria receber um preço justo. Esse tem sido o foco da APROLEP desde a sua fundação em 2010, mas até atingir esse ideal as ajudas serão fundamentais. A APROLEP defende também as propostas do European Milk Board, Associação Europeia de Produtores de Leite, para um mecanismo de alerta precoce de crises de mercado e um programe de redução voluntária da produção em caso de excedentes.

Com o objetivo de alertar o Governo e os vários partidos para a necessidade de aplicar no terreno a nova PAC, permitindo  a sobrevivência imediata dos agricultores, com o objetivo de desafiar mais uma vez a indústria e a distribuição a dialogarem para colocar o preço do leite ao produtor em níveis sustentáveis, a APROLEP vai colocar no chão da Avenida dos Aliados, no Porto, cidade que está no centro das maiores bacias leiteiras do país, as botas usadas pelos produtores de leite, representando os 200 produtores que abandonaram o setor no último ano e muitos mais que irão abandonar se não for alterado este caminho para a morte lenta da produção de leite em Portugal. 

A Direção da APROLEP


18-12-2020   É PRECISO SUBIR O PREÇO DO LEITE AO PRODUTOR!

Os produtores de leite terminam 2020 com o sentido de dever cumprido, porque não pararam de trabalhar para que houvesse alimento na mesa dos portugueses, apesar das dificuldades inerentes à pandemia de covid19. Contudo, persiste também entre os produtores um sentimento de injustiça, porque este foi mais um ano com o preço do leite abaixo da média europeia. Em outubro, tivemos em Portugal um preço médio de 30,4 cêntimos por kg de leite, cerca de 4,6 cêntimos abaixo do preço médio comunitário. Foi o quarto pior preço entre os 27 estados membros.

Mês após mês, ano após ano, estivemos sucessivamente abaixo do preço médio de Espanha e da Europa, apesar de comprarmos combustíveis, adubos e rações a um preço equivalente aos nossos colegas europeus. Manter a produção de leite só tem sido possível recorrendo ao crédito, adiando investimentos, comprando máquinas em segunda mão ou recorrendo ao sacrifício pessoal de agricultores e familiares, que abdicam de receber uma justa remuneração pelo seu trabalho. Para agravar, além da subida anunciada do salário mínimo e dos aumentos habituais da energia e dos restantes custos de produção, ocorreu nos últimos meses uma subida significativa no preço das matérias primas e cereais usados no fabrico das rações, necessárias para equilibrar o bolo alimentar das vacas, baseada no milho e erva que produzimos nos nossos campos. Apesar da ração comprada ser, em média, apenas 20% da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, representa cerca de 50% dos custos de uma vacaria.

A nossa preocupação é agravada pela decisão do ministério da agricultura em relação ao período de transição 2021-2022 que provocará uma perda de 12% na ajuda ao rendimento do nosso setor e mais ainda, no âmbito da reforma da PAC até 2027, com a anunciada redução das ajudas do atual RPB (Regime de Pagamento Base) devido à convergência a 100% em 2026 nas áreas de cultivo destinadas à produção de leite. Os produtores preferiam poder dispensar os subsídios e receber um preço justo pelo leite produzido, mas até que isso aconteça as ajudas serão essenciais para a sobrevivência do setor. Nesse sentido, a Aprolep espera que sejam encontradas formas de mitigar a redução das ajudas, nomeadamente através do reforço substancial do pagamento ligado e da adoção de eco-regimes adaptados ao setor que permitam um futuro mais eficiente e   ecológico na produção de leite compensando os agricultores pelos serviços que prestam na defesa do ambiente e no combate às alterações climáticas.

Em 2020, a produção de leite não parou, a poluição baixou e ficou demonstrado que a culpa não era das vacas nem dos agricultores. Esperamos em 2021 continuar a ter a preferência dos portugueses pelo leite e produtos lácteos nacionais, receber um melhor preço por parte da indústria e distribuição e mais atenção por parte do governo e da União Europeia.

A Direção da APROLEP


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