COMUNICADOS

29-08-2022  PREÇO MÉDIO DO LEITE AO PRODUTOR DEVE SUBIR DE IMEDIATO PARA 50 CÊNTIMOS POR KG

A produção de leite em Portugal continua sob enorme pressão face aos elevados custos dos fatores de produção (eletricidade, gasóleo, adubos e rações) e uma previsível baixa na produção de forragem, nomeadamente milho silagem, devido à seca e onda de calor, que poderá ser em alguns casos 50% do ano passado.

Esperava-se que a abertura do mercado de cereais da Ucrânia baixasse os preços das rações, mas talvez por causa da seca em toda a Europa, Estados Unidos, Canadá e China, as produções serão inferiores e as várias matérias-primas usadas nas rações mantém-se com preços elevados. A seca na Europa, nomeadamente em França, está a causar redução na produção do leite que costumava vir para Espanha a preço de saldo.

No extremo oposto, segundo os últimos dados divulgados pela comissão europeia, os produtores de leite portugueses, que pagam os fatores de produção ao mesmo nível dos restantes colegas europeus, receberam em junho um preço médio de 38,2 cêntimos por kg de leite produzido. Foi, uma vez mais, o pior preço da Europa, mas foi também a maior diferença de sempre (11,2 cêntimos) para o preço médio comunitário, 2,2 cêntimos abaixo da Hungria, o país que ficou em penúltimo lugar na lista. Em julho registou-se em Portugal um aumento de 2 cêntimos mas o preço médio da Europa também terá subido para 50.3 cêntimos e o preço do leite “spot”, no mercado livre entre indústrias, chegou a 64 cêntimos/kg.

No início de agosto, foi comunicado à generalidade dos produtores um aumento de 3 cêntimos para setembro, o que levará o preço médio em Portugal para 43 cêntimos (40 nos Açores e 45 no continente). Mais recentemente, foi comunicado aos produtores que fornecem a marca Pingo Doce uma atualização de 8 cêntimos por kg, o que lhes permitirá receber um valor superior a 50 cêntimos por kg. A Aprolep desafia desde já todos os restantes compradores a subir de forma imediata o preço do leite ao produtor para atingir um valor médio de 50 cêntimos/kg de leite em Portugal.

A atualização do preço do leite em Portugal, nos últimos anos, veio sempre tarde, abaixo dos custos de produção, abaixo do mercado europeu e sempre em reação ao aumento do preço de outros compradores ou à procura de compradores espanhóis. Os resultados são o desânimo dos produtores, o encerramento de vacarias todas as semanas, o aumento do número de animais para abate por falta de alimento ou dinheiro para o comprar e a venda de leite diretamente dos produtores portugueses para compradores espanhóis à medida que terminam os contratos anteriores.

O preço do leite tem que deixar de ser arma de arremesso na guerra pela quota de mercado entre os vários supermercados e as indústrias. Esta guerra que esmaga os produtores está a colocar em causa o autoaprovisionamento lácteo e a soberania alimentar de Portugal. Numa altura de crise não devemos deixar que um alimento essencial e completo como o leite falte nas prateleiras ou seja substituído por leite importado a preços incomportáveis, tal como acontece neste momento no Brasil onde os consumidores estão a pagar o leite mais caro do que a gasolina.

A Direção da APROLEP


01-07-2022  ENCONTRO NACIONAL DE PRODUTORES DE LEITE

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, organiza no próximo dia 1 de Julho, Sexta-feira, em Alfeizerão, Alcobaça, na Vacaria e Queijaria Flor do Vale, o ENCONTRO NACIONAL DE PRODUTORES DE LEITE, com a presença do Secretário de Estado da Agricultura Eng. Rui Martinho.  Esta atividade, que deverá reunir mais de uma centena de produtores de leite associados da APROLEP vindos de todo o país, bem como técnicos do setor, conta com o apoio e participação de algumas das empresas de referência no fornecimento de bens e prestação de serviços à produção de leite em Portugal.

O encontro começa com a visita à queijaria Flor do Vale, seguindo-se um almoço volante e um debate sobre “Custo de Produção e Preço do leite”, que contará com a presença de Jaime Piçarra, da IACA, Associação dos fabricantes de Alimentos Compostos para animais, Fernando Cardoso, da FENALAC, Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite, Cândida Marramaque, da ANIL, Associação dos Industriais de Lacticínios e Jorge Rita, da Federação Agrícola dos Açores.

A APROLEP organiza esta atividade com a convicção de ser importante reunir todos os agentes da fileira do leite neste momento difícil por causa dos elevados custos de produção, mas com a perspetiva positiva de procurar soluções para valorizar o leite e o trabalho dos produtores e de todo este setor essencial para a alimentação dos portugueses.

Para mais informações, contactar:
Carlos Neves (Secretário-geral da APROLEP): Tel. 962894146


08-06-2022  QUEM TRANCOU A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL?

No 1 de junho, Dia Mundial do Leite, em comunicado, a APROLEP expôs as dificuldades dos produtores de leite face à subida dos custos de produção, nomeadamente o gasóleo agrícola, o adubo, o milho e o bagaço de soja, que representaram até maio um aumento de 50% no custo total para produzir um litro de leite, face a igual período de 2021. Um kg de ração para as vacas custa mais de 50 cêntimos e os produtores recebem por um litro de leite 40 cêntimos no continente e 33 cêntimos nos Açores. 

Entretanto, durante a semana a empresa Queijos Santiago anunciou 5 cêntimos de aumento para julho, o que não é suficiente, mas aproxima-se do nosso objetivo. Fromageries Bel, que coloca no mercado produtos de valor acrescentado, veio anunciar uma atualização de apenas 2 cêntimos a partir de julho e os produtores que fornecem a marca “Pingo Doce” foram informados também de um aumento de 2 cêntimos a partir de 1 de junho. 

Ao mesmo tempo, tivemos conhecimento que o Pingo Doce anunciou nos supermercados, em letras garrafais, que “bloqueou” o preço do leite até ao final de julho. Nós respeitamos o direito do Grupo Jerónimo Martins repartir alguns dos 463 milhões de euros de lucros que teve em 2021, mas como não partilhamos esses lucros  não podemos agora partilhar essa fatura. O problema é que ninguém nos bloqueou o preço do gasóleo, do adubo, da eletricidade para a rega e da ração para os animais, coisas que não podemos comprar no Pingo Doce.

O que nós temos, além dos aumentos dos custos, são limitações ao uso de água de rega em algumas regiões. O milho silagem vai custar mais a produzir e vai ter um valor superior no mercado porque está ligado ao milho grão, cujo valor aumentou no último ano e em particular após o início da guerra na Ucrânia.  Se a indústria (privada ou cooperativa) e a distribuição continuarem a ignorar os custos de produzir leite em Portugal, teremos de aconselhar os produtores a fechar as vacarias ou reduzir a produção de leite em 20 ou 30% para não precisarem de comprar silagem ou para equilibrarem as contas vendendo o milho para mercado de grão. Dar milho às vacas com o atual preço do leite é deitar dinheiro fora.

Esperamos ainda uma resposta das cooperativas associadas na Lactogal, indústria líder do mercado, em termos de quantidade, que por ser propriedade das cooperativas dos produtores, devia também ser líder no preço do leite. Esperamos ainda uma resposta do Senhor Primeiro-ministro sobre este assunto, uma vez que até agora a Senhora Ministra da Agricultura ignorou esta situação. Ainda produzimos o leite que Portugal precisa mas não podemos continuar a cultivar os campos e a alimentar os animais se aqueles que dizem apoiar a produção nacional trancam a sobrevivência das nossas empresas agrícolas.  8 de junho de 2022. A DIREÇAO DA APROLEP

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Carlos Neves (Secretário-geral da APROLEP): Tel. 962894146


01-06-2022  PRODUÇÃO DE LEITE EM RISCO DE EXTINÇÃO

Os custos de produzir leite dispararam nos últimos meses. Entre maio de 2021 e maio de 2022, o preço do gasóleo agrícola aumentou 97%, o adubo 140%, o milho 77% e o bagaço de soja 45%. Tudo isto representou um aumento no custo de alimentação das vacas de 59% e cerca de 53% no custo total para produzir um litro de leite, segundo dados de um grupo de produtores. No mesmo período, o preço do leite vendido aumentou apenas 23%. Muitos produtores estão a pagar mais do que 50 cêntimos por kg de ração comprada e a vender o leite a um preço médio de 40 cêntimos/ litro no continente português e 33 cêntimos nos Açores, enquanto na Holanda o preço de referência para junho atinge os 56 cêntimos / litro de leite.

Nas regiões do interior e zona sul houve uma menor produção de forragem. Há situações de severas limitações de água para poder produzir milho silagem, nomeadamente barragens apenas com um terço da água disponível. Aqueles que costumam comprar milho silagem terão de pagar muito mais por kg de silagem, quase o dobro do valor de 2021, porque o seu valor está ligado ao valor do milho grão. Alimentar as vacas com o atual preço do leite é insustentável. Por isso a APROLEP tem vindo a propor a indexação do preço do leite à evolução dos custos de produção.  No imediato, compete à indústria e à distribuição subirem com urgência o preço do leite ao produtor para 50 cêntimos de modo a salvar a produção de leite em Portugal, caso contrário ficam sem fornecedores.

Em julho de 2021, o Ministério da Agricultura anunciou a criação de uma subcomissão na PARCA, Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, para “monitorização e análise do setor do leite e produtos lácteos” e “elaborar propostas de intervenção que resolvam a crise e os problemas que afetam atualmente os produtores”.  O relatório foi divulgado em janeiro de 2022. Cinco meses após a divulgação desse relatório, desconhecemos qualquer medida tomada pelo governo sobre esse assunto.

A produção de leite parece abandonada pelo governo. O setor leiteiro é aquele que perde mais apoios na próxima PAC. Nas medidas extraordinárias devido à guerra na Ucrânia os apoios propostos representam menos 50€/vaca do que os nossos vizinhos espanhóis vão receber, menos 37%.

Com o preço do leite abaixo dos custos de produção, com o pior preço do leite entre os 27 países da União europeia e com apoios insuficientes, cada vez mais produtores e de maior dimensão abandonam o setor. Entre março de 2021 e março de 2022 mais 200 produtores abandonaram a atividade em Portugal. Sem uma atualização urgente do preço do leite e uma inversão de atitudes a produção de leite português caminha para a extinção. Quem deixa as vacas de leite não volta a esta atividade.

No Dia Mundial do Leite e no mês que Portugal dedica um pouco de atenção ao setor agrícola, devido à realização da Feira Nacional da Agricultura, a produção de leite não pode ser esquecida. Os agricultores portugueses não pararam durante a pandemia e reforçaram o seu esforço nos últimos meses apesar das dificuldades. Se Portugal quer continuar a ter produção de leite, não pode deixar cair os que resistem na atividade.  É urgente um preço justo para o leite. A DIREÇAO DA APROLEP

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Carlos Neves (Secretário-geral da APROLEP): Tel. 962894146

 


05-05-2022  COMUNIDADE NEERLANDESA APREENSIVA COM O FUTURO DA PRODUÇÃO DO LEITE EM PORTUGAL

Após a adesão de Portugal à Europa uma importante comunidade dos Países Baixos veio para Portugal produzir leite, instalando-se essencialmente na região do Alentejo, onde havia área disponível. Nos últimos anos alguns já deixaram o nosso país, mas existem ainda mais de 30 vacarias na mão de famílias com ascendência holandesa e que representam uma percentagem significativa no leite produzido em Portugal continental. São na sua maioria empresas agrícolas familiares de média e grande dimensão, com muitos postos de trabalho e que adquirem muitos serviços locais nas zonas onde se encontram.

Em Portugal continua-se a praticar um dos preços do leite mais baixos a nível europeu e os ajustes de preço são mais pequenos e vêm muito mais tarde que nos Países Baixos, pais de origem destas famílias e referência no que respeita à produção de leite na Europa.  Com o conhecimento de que o preço do leite tem sido ajustado à produção todos os meses nos Países Baixos, sendo o preço de referência para maio de 52,5 cêntimos/kg leite na Friesland Campina, o que representa uma diferença superior a 10 cêntimos para o valor médio pago em Portugal continental aos produtores. Isto aumenta o sentimento de revolta entre os produtores pois os custos de rações, gasóleo, eletricidade e adubos são quase os mesmos em Portugal e nos Países Baixos.

No sentido de sensibilizar e informar sobre as enormes dificuldades que o sector atravessa em Portugal a maioria destes produtores de leite decidiu enviar uma carta à Embaixada do Países Baixos em Portugal. Nessa carta foram explicados os enormes aumentos de custos a que todos os produtores têm estado sujeitos já desde o ano passado, agora com a agravante da guerra este ano e a falta de valor que o produto tem na chegada ao consumidor, existindo uma dificuldade negocial enorme entre Produção, Indústria e Distribuição, não existindo um pagamento justo para o leite ao produtor.

Em resposta a este apelo dos produtores holandeses, as responsáveis pelo sector agrícola das embaixadas da Holanda na Península Ibérica, Paula Geadas (Portugal) e Nina Berendsen (Espanha) visitaram a vacaria da família Pronk & Derks no dia 3 de maio no concelho de Odemira, estando também presente Maaike Smits, representado a APROLEP. O objetivo foi mostrar “in situ” a Produção Nacional, expor de uma forma pessoal as preocupações do sector e pedir a intervenção e sensibilização do Ministério da Agricultura português por parte da Embaixada. Foi também feita referência à dificuldade de produção de forragens para os animais na zona de Odemira devido à seca e da enorme quantidade de exigências de rastreabilidade e investimento em bem-estar animal que as vacarias satisfazem com distinção hoje em dia, mas sem a correspondente valorização no pagamento do leite produzido.

Também ainda inserido na agenda de visitas, no dia 4 de maio as representantes visitaram a vacaria de Sjaak Brouwer e Mirjam Buil em Elvas, onde são produzidos os iogurtes artesanais “DaVaca”. Mais uma vez aqui também foram expostas as dificuldades que todo o sector atravessa e também apontada a necessidade de um bom marketing e constante inovação na transformação de produtos para apelar aos consumidores. Também aqui a discussão incidiu sobre os baixos preços nos hipermercados, pois existe uma constante utilização do leite como produto de baixo preço, usado como “chamariz” por todas as cadeias de supermercado, sendo este mais um fator que contribui para a impossibilidade de os produtores receber um preço justo. Infelizmente o mercado não funciona de modo favorável para os produtores em Portugal porque globalmente o produto tem sido constantemente mais valorizado e por cá continua-se na cauda da Europa. É impreterível que se instale um mecanismo que assegure que o preço do leite pago ao produtor reflita as flutuações dos custos de produção.

Se esta situação de preço baixo do leite ao produtor se mantiver em Portugal durante mais alguns meses há risco de fecharem mais vacarias e as novas gerações que pretendem continuar a produzir alimento por terras lusas não têm qualquer perspetiva de futuro.

A Direção da APROLEP

Para mais informações: Carlos Neves (Secretário-geral da APROLEP) - 962894146


09-03-2022  MEDIDAS URGENTES PARA ENFRENTAR AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA NA UCRÂNIA:

Os associados da APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, reunidos em Assembleia Geral no dia 9 de março em Ovar, aprovaram a seguinte moção:

1.    A situação económica dos produtores de leite agravou-se de forma significativa nos primeiros meses de 2022, com o aumento do custo da ração, energia e adubos a absorver completamente o aumento do preço do leite ao produtor registado em janeiro.

2.    Em consequência da guerra na Ucrânia, disparou o preço do gasóleo agrícola para valores nunca vistos, a eletricidade está a subir de igual forma, surgiram dúvidas sobre a disponibilidade de cereais para as rações, e todos os fatores de produção, como os adubos, vão atingir valores que não podemos calcular. Não conseguimos antecipar quanto nos vai custar produzir cada litro de leite nos próximos meses. Hoje produzimos o leite suficiente para alimentar Portugal, mas se não recebermos o suficiente para alimentar os nossos animais não poderemos garantir que continuaremos a abastecer o nosso país como até aqui. A soberania e a segurança alimentar do alimentar do país estão em causa.

3.    A APROLEP saúda o aumento do preço do leite em 4 cêntimos por litro, anunciado pelo grupo Jerónimo Martins aos produtores da marca “Pingo Doce” a partir do dia 16 de março e desafia os restantes compradores a aumentarem o preço em valor equivalente ou superior, para o leite entregue a partir de 1 de março inclusive.

4.    Sendo previsíveis novos aumentos das despesas com a alimentação dos animais e o cultivo dos campos, a APROLEP desafia as cooperativas, associações, confederações, o Governo, a indústria e a distribuição a reunir de emergência para analisar a situação e encontrar uma forma imediata de atualizar o preço do leite sempre que os custos aumentem. Propomos que se estude um mecanismo de indexação do preço do leite aos custos de produção e ao mercado europeu de leite e produtos lácteos.

5.    A APROLEP apela também ao Governo e à União Europeia para suspender a título excecional as regras da PAC que impedem o cultivo em todos os terrenos agrícolas disponíveis, como o “pousio obrigatório”, bem como rever a portaria 79/2022 que coloca dificuldades para a valorização agrícola dos efluentes pecuários, fundamental para reduzir a utilização de adubos químicos, que serão muito mais caros, se estiverem disponíveis no mercado.

6.    A APROLEP vai de imediato:

a.    solicitar audiências com o Senhor Presidente da República, com a Senhora Ministra da Agricultura e com a futura Comissão Parlamentar de Agricultura assim que o novo parlamento tome posse.
b.    Solicitar reuniões com as associações representativas da indústria e distribuição.
c.    Estabelecer contactos com outras organizações agrícolas e com os principais compradores de leite em Portugal.

7.    Se não houver uma resposta a curto prazo na atualização do preço do leite ao produtor os produtores de leite irão manifestar-se de forma sucessiva à porta das principais indústrias e cadeias de distribuição até que os preços sejam atualizados para permitir a sobrevivência do setor e garantir a soberania e segurança alimentar de Portugal.

8.    Os produtores de leite portugueses, unidos a todos os colegas europeus através do European Milk Board, manifestam a sua solidariedade aos agricultores, produtores de leite e todos os ucranianos, a todos os que sofrem com a guerra, apelam a um urgente processo de paz e comprometem-se a continuar a trabalhar para alimentar toda a população europeia e colaborar no acolhimento, alimentação e oferta de trabalho a refugiados ucranianos, conforme for possível e necessário.

Válega, Ovar, 9 de março de 2022


25-02-2022  O PRIMEIRO-MINISTRO TEM DE INTERVIR COM URGÊNCIA NA CRISE DO LEITE

Os acontecimentos dramáticos da guerra na Ucrânia vieram agravar a difícil situação dos produtores de leite portugueses, que pagam os custos de produção (rações, adubos e energia) ao mesmo nível dos colegas europeus mas recebem o pior preço da Europa, 10 cêntimos abaixo da média comunitária, segundo os últimos dados fornecidos pela comissão europeia. 

O aumento do preço do leite registado em Portugal a partir de 1 de janeiro de 2022 chegou com um ano de atraso e já foi anulado pelos aumentos dos custos em 2022. Um saco de adubo que custava 6 euros custa agora 16. A Ucrânia era o primeiro produtor europeu de adubo azotado. O milho já passa os 300 euros / tonelada e a soja 550 euros / tonelada. Não sabemos sequer que milho haverá para entrega, tendo em conta que a Ucrânia era a principal fornecedora de Portugal, que um navio de cereais foi atingido por um míssil e os portos estão fechados. Tudo isto vai destabilizar ainda mais o mercado mundial de cereais que já estava em ebulição por causa do aumento de consumo da China e das secas nas regiões produtoras na América do Sul do Norte. 

Surgem notícias de que os alimentos vão aumentar aos consumidores, mas não há qualquer sinal de que as cooperativas e indústrias façam qualquer atualização do preço do leite pago aos agricultores. Interpelados por produtores desesperados, atiram as culpas para a distribuição. As várias cadeias de distribuição atiram a responsabilidade para a indústria ou para os concorrentes. O governo mandou fazer o “relatório da PARCA” mas não deu qualquer seguimento. Esse relatório, que demorou 6 meses desde que foi prometido até ser divulgado, deve estar numa gaveta à espera do próximo governo que ainda vai demorar dois meses a tomar posse e começar a trabalhar.

Precisamos de ajuda urgente. Precisamos de um aumento imediato do preço do leite ao produtor em cerca de 8 cêntimos por litro e precisamos de um mecanismo para atualizar o preço do leite de acordo com os custos de produção. O mercado do leite não funciona em Portugal e o governo tem que intervir. Senhor Primeiro-ministro, é tempo de Agir!

 A Direção da APROLEP

Para mais informações:
Carlos Neves (Secretário-Geral da APROLEP): tel. 962894146


26-01-2022  O RELATÓRIO DAS VACAS MAGRAS

Os produtores de leite portugueses sofreram desde o início de 2021 sucessivos aumentos dos custos com a alimentação das vacas leiteiras sem que ocorresse o correspondente aumento do preço do leite pago ao produtor. 

Após sucessivos alertas da APROLEP, o Ministério da Agricultura anunciou a 6 de julho de 2021 que iria apresentar uma “proposta de criação” de uma subcomissão na PARCA, Plataforma de Acompanhamento das relações na cadeia Agro-alimentar, para “monitorização e análise do setor do leite e produtos lácteos”.  A 3 de setembro, foi anunciada a “criação de uma subcomissão específica do setor do leite e produtos lácteos, com o objetivo elaborar propostas de intervenção que resolvam a crise e os problemas que afetam atualmente os produtores”. 

Um ano após termos lançado os primeiros alertas, o prometido relatório foi finalmente divulgado a 21 de janeiro de 2022 e veio confirmar o que tínhamos denunciado: que o preço do leite em Portugal esteve 5 cêntimos/litro abaixo da média da UE em 2021, que houve uma redução de 90% no número de vacarias ao longo de uma década (entre 2009 e 2019) e podemos acrescentar que depois a redução do número de produtores ainda se agravou e os que resistem estão endividados, revoltados e desanimados.

Apesar de nos preocupar a ausência de dados atualizados sobre os aumentos dos custos de produção registados no último ano, consideramos este relatório um importante diagnóstico e um ponto de partida para mudar a realidade atual da crise que atravessamos. A APROLEP está disponível para dar o seu contributo para que este documento seja alvo de estudo, debate, reflexão e base para a tomada de medidas urgentes, que deverão ser rapidamente postas em prática.

Depois de lançarmos no início da campanha eleitoral uma manada de vacas de cartão em Lisboa a denunciar que “os políticos abandonaram os produtores de leite”, esperávamos uma declaração mais concreta do Primeiro-ministro em Vila do Conde, zona da “bacia leiteira”, no dia seguinte à divulgação do relatório. Disse o Dr. António Costa: “Não estamos cá só quando as vacas estão gordas. Estamos cá porque sabemos que para as vacas estarem gordas é preciso alimentar o gado, é preciso acarinhar o gado, é preciso tratar bem o gado para que o gado engorde”. Não era isso que esperávamos ouvir.

O que produtores de leite esperam dos vários candidatos é que, para além das referências ao “gado” e ao gato “Zé Albino”, venham ao terreno visitar vacarias e reunir com os agricultores, que nos digam que já leram ou vão ler o relatório da PARCA, que se informem sobre o custo de “alimentar o gado” e nos apresentem medidas concretas que nos permitam receber um preço justo pelo leite para viver com dignidade.

É urgente que os governantes tenham uma palavra forte junto da indústria e distribuição para um aumento imediato do preço base a pagar ao produtor para acompanhar os custos de produção. É essencial que o novo governo seja capaz de criar rapidamente um “observatório do leite” e um mecanismo capaz de atualizar os contratos e indexar o preço do leite aos custos de produção.

A Direção da APROLEP


14-01-2022  VACAS EM EXCURSÃO PARA CHAMAR POLÍTICOS À ATENÇÃO

Os políticos abandonaram os produtores de leite! É isso que sentimos todos os dias e por isso colocámos simbolicamente uma manada de vacas na rotunda do marquês em Lisboa. Sentimo-nos abandonados pelos principais dirigentes políticos quando sofremos a maior crise de que há memória. A agricultura é esquecida por estar longe de Lisboa e ter pouco votos, mas é a agricultura que alimenta todos os que votam e são eleitos.

Sofremos enormes prejuízos ao longo do ano que passou devido aos brutais aumentos dos custos de alimentação para as vacas, apenas minimizados por um aumento do preço do leite insuficiente para o custo de produção. Entramos em 2022 com novos aumentos de custos com rações, energia, adubos e outros fatores de produção. Aumentos de custos na ordem dos 30%, com alguns produtos a dobrar o preço de custo, como é o caso dos fertilizantes. Iniciámos 2022 com um custo de produção acima de 40 cêntimos por litro e não sabemos onde isto vai parar.

O primeiro-ministro, a ministra da agricultura e a generalidade dos políticos ficam em silêncio enquanto a produção de leite, a agricultura e o mundo rural desaparecem. O Plano Estratégico da PAC apresentado a 30 de dezembro de 2021 ignora as dificuldades deste sector optando por medidas públicas que claramente prejudicam os produtores de leite, como é o caso da convergência a 100% que reduz as ajudas ao rendimento deste sector em mais de 50%, de um pagamento ligado ao milho silagem que é metade da ajuda ao milho grão, e eco-regimes com orçamento insuficiente para o desafio que nos é pedido por Bruxelas.  Sem esses apoios o preço do leite tem que aumentar. Em cada ano abandonam o setor leiteiro cerca de 200 produtores. A este ritmo a produção de leite em Portugal vai desaparecer em poucos anos. 

É urgente que os políticos tenham uma palavra de solidariedade para os agricultores, que estudem os dossiers e venham ao terreno visitar vacarias e reunir com os agricultores. É urgente que tenham uma palavra forte junto da indústria e distribuição para um aumento imediato do preço base a pagar ao produtor para acompanhar os custos de produção e o preço médio comunitário que ultrapassou em dezembro 41 cêntimos por litro de leite, mais de 7 cêntimos acima do preço médio em Portugal.

É essencial que o novo governo seja capaz de criar rapidamente um observatório dos custos de produção e um mecanismo capaz de atualizar os contratos e indexar o preço do leite a esses custos e ao preço comunitário, sem que seja preciso os agricultores estarem constantemente a manifestar-se deixando o seu trabalho para colocar vacas ou tratores em Lisboa. Se os políticos não assumirem as suas responsabilidades, irá desaparecer a produção de leite em Portugal, ficarão apenas as vacas em cartão e virá também de fora o leite já embalado em cartão para os que o puderem pagar. É urgente um PREÇO JUSTO PARA O LEITE! 

14 de janeiro de 2022
A Direção da APROLEP

Para mais informações: Jorge Oliveira (Presidente): tel. 919872203


22-12-2021  A APROLEP REGISTA COMO POSITIVO O AUMENTO DO PREÇO AO PRODUTOR EM CERCA DE 3 CÊNTIMOS A PARTIR DE JANEIRO DE 2022

Vários compradores já anunciaram esse aumento e esperamos que aqueles que ainda não o comunicaram o possam fazer rapidamente em valor idêntico ou superior para que todos possam ter um Natal melhor. Será um sinal de esperança para nós, para as nossas famílias e para todos os que connosco trabalham, direta e indiretamente: funcionários, fornecedores e prestadores de serviços.

No entanto, é nossa obrigação alertar que vamos entrar em 2022 ainda muito abaixo do preço médio comunitário e com aumentos já anunciados nos fatores de produção, que só em janeiro poderemos quantificar, pelo que precisamos que as várias indústrias e cadeias de distribuição continuem a evoluir na valorização do leite e produtos lácteos e façam chegar esse valor ao produtor.

Neste momento queremos agradecer a todos os que estiveram com os produtores de leite nas várias lutas e deram um contributo positivo para que a nossa situação comece a melhorar. Para todos, votos de um feliz e saboroso Natal com muitos produtos lácteos e um Ano Novo com saúde e esperança!

 

A Direção da Aprolep

 

Para mais informações:
Jorge Oliveira (Presidente): tel. 919872203
Em alternativa - Carlos Neves: tel. 962894146 (Secretário-geral da Aprolep)


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