COMUNICADOS

01-06-2020   DIA MUNDIAL DO LEITE

Celebrámos hoje, dia 1 de junho, a 20ª edição do Dia Mundial do Leite, criado em 2001 por iniciativa da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, para assinalar a importância do leite como alimento global, importância reconhecida pelos consumidores na corrida às prateleiras registada no início da pandemia do covid-19.

Por causa desta pandemia, não podemos agora celebrar este dia da mesma forma que o fizemos ao longo dos 10 anos de existência da APROLEP, recebendo crianças nas nossas quintas e vacarias para mostrar como cultivamos os campos e cuidamos dos animais.

Continuamos a produzir, continuamos a trabalhar e precisamos de comunicar, mantendo a distância de segurança. Por isso estamos a organizar um concurso de fotografias na página de Facebook da APROLEP, relacionadas com a produção, transformação ou consumo de leite. O concurso decorre até às 22 horas do dia 1 de junho, sendo vencedora a fotografia que tiver mais “gostos”. O prémio, um cabaz surpresa de oito queijos selecionados, será enviado ao autor (a) da fotografia. Queremos também assim chamar a atenção para os produtos lácteos, nomeadamente os bons queijos que se fazem com leite português e que enfrentaram dificuldades acrescidas de comercialização por causa da pandemia que fechou hotéis e restaurantes onde costumavam ser consumidos, mas que podem ser acessíveis através dos novos canais de comércio online.

Celebrar devidamente o dia mundial do leite implica também preparar um futuro mais justo e sustentável no setor, do ponto de vista social e ambiental. Será justo se o leite for pago ao produtor a um preço capaz remunerar decentemente quem trabalha no setor agrícola e cobrir os custos de produção. Será sustentável se for produzido com técnicas de produção ambientalmente sustentáveis e devidamente baseadas na experiência dos produtores, na investigação e na evidência científica. 

A Direção da APROLEP


7-5-2020 – COMUNICADO SOBRE A REDUÇÃO DA PRODUÇÃO DE LEITE NA EUROPA

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal quer neste momento afirmar toda a solidariedade e apoio aos produtores de leite europeus que hoje se manifestam em vários países da Europa, coordenados pelo EMB, European Milk Board, propondo um programa de redução voluntária da produção de leite a nível europeu, face à redução do consumo de produtos lácteos provocada pela pandemia do Covid19 e às dificuldades de exportação.

É nosso dever alertar que esta situação pode ser ainda mais grave para os produtores de leite portugueses porque ocorre depois de 10 anos com o preço do leite ao produtor sempre abaixo da média comunitária e de termos o pior preço entre os 27 estados da Europa, nos últimos dois meses com dados disponíveis, fevereiro e março de 2020, com 0,304 €/ kg, 4 cêntimos abaixo da média comunitária.

Para agravar este contexto difícil algumas centenas de produtores portugueses, no continente e nos Açores, foram já notificados por vários compradores sobre descida do preço do leite, face à dificuldade em dar escoamento para produtos de valor acrescentado, nomeadamente queijo que deixou de ser vendido na restauração.

As medidas recentemente anunciadas pela União Europeia de apoio à armazenagem privada de queijo ou leite em pó são claramente insuficientes, porque se está apenas a empurrar o problema para a frente sem resolver os atuais desequilíbrios entre oferta e procura a nível europeu. Nem o armazenamento privado nem a intervenção impedem a superprodução; armazenam apenas excedentes que poderão afetar ainda mais negativamente o mercado português.

No contexto excecionalmente dramático desta pandemia nós, APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, esperamos que o Governo português defenda, perante a União Europeia, a redução voluntária da produção apresentada pelo EMB, European Milk Board, em que os produtores que produzem menos na situação atual do que no mesmo período do ano passado receberiam um bónus por litro de leite não produzido. Este programa já foi brevemente implementado com sucesso em resposta à crise dos laticínios em 2016.

Renovamos o apelo à escolha de produtos lácteos nacionais por parte dos consumidores portugueses bem como à solidariedade e partilha de esforços de indústria e distribuição, para que a crise económica de sector lácteo não seja apenas assumida pelos produtores. A Direção da APROLEP.


23-3-2020- MENSAGEM DOS PRODUTORES DE LEITE SOBRE O COROVAVÍRUS:

TRANQUILIDADE, SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE

Face à crise global causada pela pandemia do Covid-19, a APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, quer mais uma vez deixar uma mensagem de tranquilidade aos portugueses sobre o abastecimento de produtos lácteos. Todas as informações que dispomos indicam que os agricultores, cooperativas, empresas transportes, transformação e distribuição estão a trabalhar normalmente, com as limitações naturais e todos os cuidados possíveis, não havendo motivo para os consumidores fazerem compras em excesso que dificultam o trabalho de reposição e acesso de todos à alimentação.

Neste contexto, a corrida às prateleiras de alimentação nos supermercados veio confirmar como é importante manter vivo o sector agropecuário para garantir a segurança alimentar das populações. Apesar das dificuldades que temos sentido ao longo dos anos temos demonstrando resiliência e capacidade de responder aos desafios. É fundamental que a sociedade e o poder político reconheçam a relevância do sector primário de forma permanente e não apenas em alturas de crise como a que vivemos. Sublinhamos ainda que a brutal redução da poluição a nível mundial após a paragem do tráfego aéreo, do trânsito urbano e de outras atividades económicas demonstrou de uma forma muito clara que não eram as vacas a causa dessa poluição.

Contudo, as alterações da vida quotidiana impostas para a contenção da pandemia provocaram alterações de consumo e novos problemas que urge enfrentar. No setor do leite de vaca registamos dificuldades pontuais de algumas queijarias que não tem escoamento para os seus produtos porque o seu mercado era a restauração e estão com dificuldade para comprar aos produtores o leite produzido havendo propostas para redução drástica do preço em 30%. Tivemos conhecimento de produtores de leite de cabra e ovelha que numa situação mais dramática foram obrigados a deitar fora os tanques de leite produzido. No imediato, perante esta situação excecional, apelamos a uma solidariedade excecional entre transportadores e indústrias para que não se percam os produtos agrícolas produzidos e apelamos aos consumidores para que, dentro do possível, comprem os produtos lácteos que costumavam consumir nos restaurantes, para mantermos o meio rural vivo e a produzir. Não esquecer que cabras, ovelhas e agricultura à volta das aldeias são a primeira proteção para evitar os incêndios de todos os anos.

Para além da realidade local, esta crise veio relembrar o que sempre afirmámos: a União Europeia tem a responsabilidade de manter viva uma agricultura de proximidade aos consumidores, para manter o abastecimento das populações com segurança alimentar. Esta crise sanitária, com todas as restrições necessárias à paragem da pandemia, vai provocar uma crise económica e de comércio internacional que deve ser desde já antecipada ao nível da União Europeia por uma análise permanente do mercado. É provável que em diferentes locais da Europa surjam dificuldades na transformação e comércio de produtos lácteos. Nesse contexto deve-se evitar a repetição dos erros dos últimos 10 anos, podendo ser necessário conter a produção para que países excedentários de leite não inundem os mercados de países como Portugal que têm uma produção ajustada ao consumo. Isso deve ser feito de forma organizada e rápida a nível europeu. A Europa não tem uma política comum de saúde e por isso não conseguiu responder de forma organizada a esta crise, mas tem uma política agrícola comum e instituições comunitárias que devem agir para prevenir.


4-3-2020 – APROLEP – 10 ANOS A DEFENDER O LEITE PORTUGUÊS

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, organiza um almoço-debate em Vila Seca, Barcelos, no dia em que assinala 10 anos de intensa atividade. Fundada em 4 de Março de 2010, a APROLEP nasceu com o objetivo de “lutar de forma consistente e organizada por um preço justo para o leite português”.

Após o almoço, decorrerá um debate com dois temas importantes: “O Futuro da PAC e a produção de Leite”, pelo Eng Eduardo Diniz, Diretor do Gabinete de planeamento e políticas do Ministério da Agricultura. Estamos numa fase crucial da negociação do orçamento comunitário e da definição das políticas para os próximos anos e é importante que os agricultores e produtores de leite serem informados e escutados de modo a participar nas decisões que vão condicionar a sua atividade. Os agricultores venceram o desafio de abastecer a Europa com segurança alimentar e podem também dar um contributo positivo para os atuais desafios, nomeadamente as alterações climáticas, através da redução de emissões de metano e sequestro de carbono no solo através do aumento progressivo da matéria orgânica e do desenvolvimento da agricultura de precisão. A água, fundamental para a agricultura, também tem de ser usada com as mais modernas técnicas e tecnologias de rega. Para abordar o tema “Economia de água na rega do milho”, estará presente o Engº Marco Malta da Magos Irrrigation Sistems.

Neste dia de aniversário será também distribuída mais uma edição da Revista “Produtores de Leite”, editada pela APROLEP. Segundo Jorge Oliveira, Presidente da Associação, “É tempo de agradecer a todos os que ajudaram a APROLEP a nascer e crescer. Agradecer aos que estiveram connosco nas vacarias e na rua, à porta dos supermercados, da indústria e do poder político. Aos políticos que nos receberam e defenderam os nossos interesses. Agradecer aos voluntários que trabalharam e às empresas que patrocinam as nossas atividades. Não podemos parar. O preço do leite mantém-se abaixo da média comunitária e dos custos de produção. O leite é atacado como alimento, as vacas são atacadas por causa do ambiente e nós somos acusados de maltratar as vacas, tudo isto com base em informação distorcida”. Sob o slogan “Juntos somos mais fortes” os produtores de leite lutam “pelo futuro do leite português” aassociados aos agricultores de toda a Europa através do European Milk Board – Conselho Europeu do Leite.


7-1-2020 – APROLEP CELEBRA 10 ANOS PREPARANDO O FUTURO DO SETOR LEITEIRO

A APROLEP-Associação dos Produtores de Leite de Portugal organizou a 7 de janeiro em Benavente um almoço-debate onde participaram cerca de 70 produtores de leite oriundos de todo o território nacional e que contou com as intervenções de Pedro Pimentel, Diretor Geral da Centromarca e David Gouveia, Diretor de Serviços de Competitividade do GPP, Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura.

“Que futuro para o mercado de produtos lácteos” foi o mote para a apresentação de Pedro Pimentel. Apesar das oscilações conjunturais, o futuro do sector lácteo a nível global é promissor. Em Portugal registou-se uma baixa no consumo de leite UHT mas uma subida no consumo de queijo apesar de ainda estar abaixo da media comunitária. “A qualidade nutricional de leite e lacticínios é inquestionável, mas é preciso valorizar a origem e manter a notoriedade com sustentação científica e uma comunicação focada”.

“A produção de leite na PAC após 2020” foi abordada por David Gouveia, que apresentou o Plano Estratégico da próxima Política Agrícola Comum, em cujos objetivos se destacam “promover um setor agrícola inteligente, resiliente e diversificado assegurando a segurança alimentar” e “apoiar a proteção do ambiente e a luta contra as alterações climáticas e contribuir para os objetivos ambientais e climáticos da EU”.

Apesar da nova PAC não estar ainda definida e de só se prever a sua implementação em 2022, a APROLEP considera importante alertar para a provável redução dos apoios anuais ao rendimento dos produtores de leite, mas reafirma mais uma vez o que tem sido a sua posição de sempre: os produtores não querem depender de subsídios compensatórios de crises permanentes, querem viver do seu trabalho através de um preço justo do leite. Por isso a APROLEP considera que os apoios ao investimento devem contribuir para uma produção mais eficiente, sustentável e adaptada às necessidades do mercado mas devem também ser pagos através da PAC os serviços ambientais que os agricultores prestam, nomeadamente a fixação de carbono e todos os contributos para a mitigação das alterações climáticas.

Este almoço-debate foi a primeiro encontro desta dimensão organizado pela APROLEP a sul do Tejo e foi a primeira iniciativa para celebrar os 10 anos de existência da Associação que assume como missão “Defender os interesses dos produtores de leite através da união de esforços, da congregação de saberes, da partilha de experiências e da solidariedade entre produtores.”

Para reforçar o funcionamento da APROLEP face ao crescimento enquanto organização, a Direção entendeu proceder a uma reorganização interna, convidando Carlos Neves para assumir o cargo de Secretário Geral e José Augusto Ferreira, primeiro suplente, para integrar a Direção.


29-11-2019 – LEITE CARBONO ZERO É OBJETIVO DOS PRODUTORES NACIONAIS

Cerca de 400 pessoas participaram hoje, 29 de Novembro, no Colóquio Nacional do Leite, organizado em Esposende pela APROLEP-Associação dos Produtores de Leite de Portugal, em colaboração com a AJADP-Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto.

Na sessão de abertura, a Diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Engª Carla Alves, sublinhou «a enorme resiliência e capacidade de adaptação das explorações leiteiras» e o esforço que têm feito na melhoria da gestão dos efluentes pecuários e na instalação de sistemas de rega mais eficientes. Disse ainda que é importante consumir leite e produtos lácteos de proximidade, devido à sua menor pegada de carbono, sublinhado que «o leite nacional é um produto bom, seguro e saudável».

Na mesa redonda “Como valorizar a erva na produção de leite?” foram apontadas estratégias para melhorar a produção, colheita e conservação da erva, uma fonte protéica para alimentação das vacas na qual os produtores de leite devem investir para diminuir a dependência de rações importadas, contribuindo para a maior rentabilidade das suas explorações e a diminuição da pegada de carbono associada ao transporte transcontinental das matérias-primas (soja, entre outras) usadas nas rações. Foi aconselhada a sementeira de leguminosas, espécie que fixa o azoto e melhora a fertilidade do solo de forma natural. Devido à sua elevada digestibilidade, as forragens com leguminosas podem também ajudar à redução dos níveis de metano emitido pelas vacas.

Os produtores de leite ficaram a saber mais sobre como “Criar vacas e produzir leite num ambiente sustentável”. Henrique Trindade, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, disse que existem ou estão em desenvolvimento novas soluções para reduzir as emissões de metano dos ruminantes, como aditivos alimentares ou uma vacina que reduz a população microbiana dos intestinos das vacas e com isso os gases emitidos. Deu exemplos de estratégias a adotar para mitigar os impactos ambientais da atividade e realçou as oportunidades de aproveitamento dos subprodutos das vacarias (chorumes) na fertilização de culturas hortícolas, numa lógica de Economia Circular. David Fangueiro, investigador da Universidade de Lisboa, exortou os produtores de leite a fazer o diagnóstico dos impactos ambientais dos campos e vacarias através do “balanço de nutrientes”, o que ajuda na sua minimização.

No painel sobre “Bem-estar Animal e a imagem da produção de leite”, os especialistas deram exemplos das boas práticas (uso de escovas para auto-massagem das vacas, camas confortáveis, etc ) que são adotadas nas vacarias em Portugal, cumprindo a legislação europeia sobre bem-estar animal e respondendo a exigentes referenciais de certificação como o Welfare Quality Assessement. Concluíram que é imprescindível comunicar com o consumidor, abrindo as portas das explorações leiteiras a quem as queira visitar, algo que já está a ser feito no âmbito do projeto “Leite é vida”, que só em 2019 levou 1200 crianças a conhecer vacarias e a realidade da produção de leite. É preciso mostrar o que se faz bem na produção intensiva de leite, único modo de produção viável para suprir as necessidades do mercado e compatível com o preço que o consumidor português pode pagar pelo leite. No sistema intensivo, em estábulo, as vacas podem ser tão felizes como na pastagem, desde que sejam adotadas as melhores práticas de bem-estar animal.

No último tema do colóquio ficou patente que é necessária uma estratégia concertada, alargada e de longo prazo para comunicar a agricultura junto da opinião pública. João Villalobos, especialista em comunicação, aconselhou o setor a unir-se, adotar uma estratégia comum e usar os bons argumentos da ciência a favor da agricultura.

Na sessão de encerramento, Isabel Carvalhais, eurodeputada socialista da comissão de agricultura no Parlamento Europeu, realçou a necessidade de os agricultores comunicarem com a opinião pública o quanto já evoluíram nas boas práticas, manifestando-se disponíveis em fazer mais e melhor para adaptar a agricultura às exigências atuais de sustentabilidade ambiental da sociedade.

O Colóquio Nacional do Leite teve o apoio da Caixa de Crédito Agrícola de P. Varzim, Vila do Conde e Esposende e das empresas que patrocinam o colóquio: Syngenta, Solvenag, Sojagado, Coren, Agrovete, Genética 21, Nanta, Fertinagro, Torre Marco, Harker, Dekalb, Socidias, Fertiprado, De Heus, Pioneer, Gondimil e Consulai, sendo parceira de comunicação a Vaca Pinta.


28-11-2019 – PRODUÇÃO ECOLÓGICA DE LEITE, AMIGA DO CLIMA E COM BEM-ESTAR ANIMAL

Cerca de 400 agricultores, investigadores e técnicos do setor leiteiro são esperados na próxima sexta-feira em Esposende para a edição 2020 do Colóquio Nacional do Leite, organizado pela APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, em colaboração com a AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, com o apoio da Caixa de Crédito Agrícola e de várias empresas de referência na prestação de serviços aos agricultores e produtores de leite.

“Como valorizar a erva na produção de leite?”, “Bem-estar Animal e a imagem da produção de leite”, “Criar vacas e produzir leite num ambiente sustentável” e “O desafio de comunicar agricultura” serão os temas abordados e debatidos com os participantes através de novas tecnologias, sendo as questões enviadas por messenger e SMS .

Para o Produtor de Leite e Presidente da APROLEP, Jorge Oliveira A sociedade quer uma produção agrícola favorável ao clima, mas as leis nesse sentido têm de ser discutidas e aplicadas em cooperação com os agricultores. O armazenamento de carbono, a biodiversidade, a fertilidade do solo, o controlo de inundações e erosão são contributos da agricultura para o ambiente, mas é preciso um pagamento justo dos custos desse trabalho, através do preço do leite ou ajudas financeiras da nova PAC. Não podem ser só os agricultores a pagar a fatura e as vacas a ficar com a culpa do aquecimento global.”

No mesmo sentido, Miguel Silva, jovem agricultor e Presidente da AJADP, alerta que “intervenções recentes em relação aos bovinos e à libertação de metano só causaram alarmismo e desconfiança entre agricultores e a sociedade” e acrescenta que “os baixos preços do leite não encorajam os jovens agricultores para assumir o futuro da produção de leite”, sendo importante que o Estado “deixe de exigir o aumento da produção para aprovar projetos e os principais indicadores de valorização das candidaturas sejam o equilíbrio ambiental das explorações e bem-estar animal.”

Durante o colóquio, os investigadores convidados vão partilhar com os técnicos e agricultores os resultados mais recentes dos seus projetos sobre utilização de recursos locais, economia circular, gestão de efluentes, balanço de nutrientes e redução de fertilizantes químicos, redução de emissão de gazes de efeito de estufa, aumento do sequestro de carbono nas pastagens e evolução do bem-estar animal na produção de leite, à luz da ciência e investigação.

A APROLEP e AJADP consideram ainda que este trabalho de investigação agronómica e zootécnica, realizada longe dos holofotes mediáticos, precisa de ser melhor comunicado. A falta de conhecimentos da população urbana tem sido aproveitada por oportunistas que envenenam a sociedade contra os agricultores para colherem benefícios para novas ideologias políticas ou alimentos artificiais, mais caros, que pretendem substituir a carne e o leite. Por isso “comunicar agricultura” será o último tema do colóquio e é um desafio que assumimos, porque queremos cultivar a terra, cuidar dos animais e alimentar a população de forma responsável, ecológica, amiga do clima e com o máximo de bem-estar animal à luz de critérios científicos.

A sessão de abertura será presidida pela Diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Engª Carla Alves, em representação da Senhora Ministra da Agricultura e no encerramento estará presente a Senhora Eurodeputada Isabel Carvalhais, bem como representantes de outros eurodeputados. O colóquio começa com um pequeno-almoço lácteo e termina com um brinde ao leite, passando por um almoço com bifinhos de vitela. Agrademos o apoio da Caixa de Crédito Agrícola de P. Varzim, Vila do Conde e Esposende e das empresas que patrocinam o colóquio: Syngenta, Solvenag, Sojagado, Coren, Agrovete, Genética 21, Nanta, Fertinagro, Torre Marco, Harker, Dekalb, Socidias, Fertiprado, de heus, Pioneer, Gondimil, Consulai, Feima, Farmopecuária , Magos Irrigation Systems e Revista Vaca Pinta.


18-11-2019 – AGRICULTORES EUROPEUS UNIDOS POR UMA PRODUÇÃO DE LEITE RESPONSÁVEL, ECOLÓGICA E AMIGA DO CLIMA

Assembleia Geral do EMB reuniu em Itália a 14 e 15 de novembro e aprovou adesão da APROLEP e documento sobre agricultura e alterações climáticas

Enquanto em Bruxelas deputados e dirigentes iniciavam funções nas instituições europeias, uma delegação da aprolep participou em conjunto com mais 14 associações de produtores de leite de diferentes países, na assembleia e conferência do EMB, European Milk Board (Conselho Europeu do Leite), realizada nos dias 14 e 15 de novembro na cidade italiana de Montichiari, tendo sido aprovada por unanimidade a adesão da APROLEP ao EMB.

Analisando as linhas gerais da nova PAC, os produtores de leite europeus sentem que foram penalizados por uma PAC de vistas curtas que não foi capaz de impedir sucessivas crises destrutivas para a produção, nomeadamente em 2009 (preços de 25 cts/litro ao produtor), 2012 (abaixo de 30 cts) e 2016 (28 cts). Nos anos mencionados, os produtores da UE obtiveram apenas cerca de 40% do rendimento média da UE; Mesmo em anos “normais” como 2017, esse rendimento foi apenas 46,5% da média, o que significa que estão a ficar excluídos na sociedade. Esses números deprimentes significam um futuro muito sombrio para a pecuária leiteira e para as gerações mais jovens que desejam assumir o controle das empresas agrícolas. Quando a única certeza é manutenção desta miséria de preços no futuro próximo, os jovens agricultores obviamente estão relutantes em assumir o futuro da produção de leite. Mesmo o preço médio atual do leite na UE, 33 cts (30 cts em Portugal, um dos mais baixos da Europa), dificilmente é fonte de motivação, quando os custos de produção são acima de 40 cts por litro. Tenha-se ainda em conta a incerteza do mercado quando o Brexit finalmente entrar em vigor, uma vez que a PAC não possui instrumentos para lidar com esse ou outros eventos geopolíticos.

Diretrizes para resistência a crises

Nesta conferência internacional de produtores de leite na Itália, sustentabilidade social e produção ecológica e responsável foram os principais tópicos. O primeiro passo é combater a propensão do setor lácteo a crises, implementando um instrumento de deteção de crises a nível da UE e a redução voluntária da produção, que é parte do Programa de Responsabilidade do Mercado, proposto pelo EMB.

Produção de leite responsável, ecológica e amiga do clima

Os representantes dos produtores de leite presentes na Itália acreditam que, além da sustentabilidade económica e social, a sustentabilidade ambiental também é uma obrigação. No entanto, isso requer estratégias que tem de ser discutidas e implementadas em conjunto com os agricultores. Nesse sentido, foi aprovada por unanimidade um documento que tem como objetivo participar numa sociedade social e ecologicamente sustentável e responsável, baseada nos seguintes pontos:

  • armazenamento de CO2

A agricultura e a produção de leite já desempenham um papel essencial no armazenamento de CO2 através das forragens e pastagens para os animais. O armazenamento de carbono, a biodiversidade e a fertilidade do solo, bem como o controle de inundações e erosão, desempenham um papel importante no equilíbrio ecológico. Essa contribuição deve ser reconhecida e pode ser desenvolvida ainda mais, aumentando a produção regional.

  • Aumentar a produção e o consumo regional

Se a procura de produtos lácteos regionais na Europa for objetivo da política agrícola comum, consumidores e produtores unidos poderão fortalecer a produção regional com consequências ecológicas positivas, reduzindo as emissões causadas pelo transporte. Além disso, uma produção dispersa pelas regiões evita a concentração em poucos locais reduzindo focos de poluição localizada.

  • Relações comerciais justas e sustentáveis

Os acordos de livre comércio de produtos agrícolas são problemáticos e devem ser rejeitados, pois contrariam a produção justa e sustentável. Por exemplo, no setor de laticínios, o leite em pó é transportado para outros continentes para aliviar o mercado europeu e para lucro das grandes empresas de lacticínios e não porque os produtores de lá não possam produzir leite. Esse transporte é mais uma fonte de emissões de CO2 e causa dano às estruturas locais de produção nos países em desenvolvimento.

A importação de carne e laticínios já produzidos em quantidades suficientes na própria UE leva a um desperdício desnecessário de energia e recursos de transporte e não é compatível com os objetivos definidos no Acordo Climático, podendo também resultar em danos ambientais no país de origem. O EMB considera que os decisores políticos devem rever a sua linha atual sobre livre comércio e manter o setor agrícola fora desses acordos, dando prioridade, a nível interno, a agropecuária baseada em quintas familiares, com ligação entre a terra cultivada e a produção animal. Desta forma, os alimentos para animais podem ser cultivados regionalmente e / ou comprados na União Europeia, evitando-se importações de longa distância.

  • Evitar a sobreprodução prejudicial e conservar recursos

O passado recente da produção de leite europeia caracterizou-se por crises de superprodução, o que pode ser evitado com o Programa de Responsabilidade do Mercado. A aspiração dos produtores de leite é que essa produção responsável não apenas supere as crises, mas também tenha uma importante contribuição ecológica e social, porque isso poupa recursos ecológicos.

A sociedade europeia quer, com razão, uma produção agrícola favorável ao clima, mas as estratégias nesse sentido devem ser discutidas e coordenadas em conjunto com os agricultores e produtores de leite. Isso inclui um acordo justo no que diz respeito à cobertura dos custos desse importante trabalho, seja através de preços mais altos do mercado ou pagamentos financeiros públicos adequados. Como o clima afeta a todos, também todos nós, membros da sociedade, temos que dar a nossa contribuição financeira. Para poder produzir leite de maneira eficaz, ecológica, sustentável e com futuro, é necessário encontrar uma maneira de cobrir os custos e não apenas fazer exigências aos produtores!


8-10-2019 – COMUNICADO SOBRE A EXIBIÇÃO NA ESCOLAS DO DOCUMENTÁRIO COWSPIRACY:

Tomámos conhecimento de que amanhã, dia 9 de Outubro, será exibido, pelas 9h00, nas instalações da Escola Secundária de Barcelos e dirigido aos alunos do 11º ano (turmas B, D, E e F), o documentário “Cowspiracy: The Sustainability Secret” de 2014 que, de acordo com a apresentação publicada no site do Agrupamento de Escolas de Barcelos: “… promove o veganismo enquanto expõe os problemas ambientais causados pela alimentação à base de animais.” A visualização é justificada pela “recente tomada de posição da Universidade de Coimbra em não servir carne de bovino nas suas cantinas e da emergência climática ser um assunto que não permite adiar discussões”. O cartaz do evento, ainda disponível no site da Escola e que esteve afixado ao público que foi votar na manhã do passado domingo, refere a presença, como convidado, de um militante de um partido político que defende a doutrina vegan e o fim da produção animal.

Oportunamente manifestamos à Direção da Escola a nossa perplexidade pela presença de alguém que não é perito em agricultura, produção animal ou alterações climáticas e disponibilizamo-nos para enviar representantes com experiência e formação que estariam presentes a explicar a criação de bovinos para produção de leite carne em Barcelos, que envolve centenas de famílias. Tivemos como respostas a abertura para agendar no futuro a exibição e debate de alguma obra alternativa ao filme em questão e a ausência do militante político que fora anunciado, o que saudamos, pese embora o facto de permanecerem motivos de preocupação face ao conteúdo do documentário.

O documentário Cowspiracy, cujos promotores são ativistas vegan, apresenta uma imagem distorcida da produção animal e que não deve ser generalizada. Há que contextualizar e apresentar aos alunos qual a realidade do nosso país e da região onde se inserem, bem como as práticas legais na União Europeia.

O documentário apresenta dados de emissões de gases com efeito estufa (GEE) errados e contestados por diversas entidades independentes e isentas. O ponto central da “teoria da conspiração” do Cowspiracy é o suposto “facto” de que um estudo de 2009 descobriu que 51% de todos os gases de efeito estufa são originados pela produção animal. Os próprios autores reduziram em declarações posteriores esse valor para 18%, enquanto o consenso científico aponta valores na ordem dos 14,5% a nível mundial. Em Portugal, dados de 2017 indicam que os bovinos produzem apenas 4,5% dos Gazes de efeito de estufa, conforme imagem abaixo.

O documentário tem muitas outras incorreções que já foram publicamente denunciadas e que seria extensivo enumerar agora. Toda a doutrina vegan na vertente ambiental ignora ostensivamente que o carbono libertado pelos animais foi captado pelas plantas cultivadas pelos agricultores, da mesma forma que deturpa os dados relativos à utilização da água na agricultura e na pecuária.

Tem surgido inúmeros testemunhos de jovens que se converteram ao veganismo após visualizar este documentário e que depois o abandonaram por motivos de saúde. Pedimos a pais e professores para estarem atentos às escolhas alimentares dos jovens e recomendamos que sejam aconselhados por nutricionistas e não por ativistas.

É urgente assegurar de que os nossos jovens não são doutrinados unilateralmente, mas antes incentivados a questionar, discutir, inquirir sobre o porquê das coisas, formando uma opinião individual baseada em factos, devendo ser fomentado o pensamento critico, que só se consegue promovendo um debate de ideias, livre, plural e com direito a contraditório.

As tentativas de partidarização no interior e no âmbito de atividades letivas em escolas públicas são inaceitáveis e devem merecer atenção redobrada das respetivas direções.


18-9-2019 – COMUNICADO SOBRE A PROIBIÇÃO DE CARNE NAS CANTINAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, quer tornar público um veemente protesto perante o anúncio da proibição de carne de vaca nas cantinas da Universidade de Coimbra a partir de janeiro de 2020 e manifestar solidariedade a todos os criadores de bovinos em Portugal.

É incompreensível que o Reitor de uma universidade com setecentos anos de história queira banir um alimento com milhares de anos e que terá contribuído para o desenvolvimento do cérebro dos nossos antepassados. “Ficámos espertos porque comemos carne”, foi uma afirmação recente do respeitado patologista Sobrinho Simões, em entrevista. Não queremos um retrocesso baseado no programa de proibições de uma minoria ativista e barulhenta.

A carne não é o principal produto das nossas vacarias, mas a venda ou engorda dos vitelos machos e das vacas após o fim da vida produtiva é um complemento fundamental quando o preço do leite está abaixo do custo de produção. As nossas vacas são criadas com cada vez mais cuidados de bem-estar animal e alimentadas com 80% de alimentos produzidos nas terras que cultivamos. Os restantes 20% incorporam subprodutos da indústria alimentar que o ser humano não consegue digerir e que doutra forma seriam desaproveitados. O nosso trabalho é baseado na experiência de gerações e apoiado e orientado por agrónomos, zootécnicos e veterinários que estudaram nas Universidades e nos aconselham com base na investigação e na melhor evidência científica.

Portugal importa quase 50% da carne bovina que consome. Quem se preocupa com a pegada ecológica dos alimentos pode começar por escolher carne nacional, sem consumo de combustíveis na importação e baseada na pastagem ou cultivo de terras que de outra forma ficariam abandonadas sendo pasto privilegiado para incêndios que, além do perigo de vida para as populações, são uma enorme libertação de carbono para a atmosfera.

Nós, os produtores de leite e técnicos que restamos e resistimos às crises, somos descendentes de outros produtores e técnicos que, no passado, com estudo, investigação e trabalho, foram capazes de contrariar os profetas da desgraça que previam que a humanidade morreria à fome perante o aumento da população. Não ignoramos as alterações climáticas. Como agricultores, seremos os primeiros a sofrer. Faremos a nossa parte para que a agricultura e pecuária sejam parte da solução, mas precisamos da massa cinzenta das Universidades para sermos mais eficientes numa agricultura de precisão. E esperamos que estudantes e professores possam ter uma alimentação completa, equilibrada e variada, sem falta de ferro e vitamina B12, que permita estudar, investigar e decidir com bom senso.


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